terça-feira, 1 de janeiro de 2013

A Causa Animal


Discurso da Vereadora Lourdes Sprenger em 7 de fevereiro de 2013 sobre a Causa Animal

Sr. Presidente, Sras. Vereadoras e Srs. Vereadores:

Hoje eu quero abordar um tema que é uma preocupação tanto para o Governo como para as nossas comunidades que ligam a causa animal a três questões fundamentais que devemos enfrentar.

A primeira delas é a superpopulação de animais, de cães e gatos, que se verifica nas grandes metrópoles; a segunda são os maus-tratos contra os animais, e a terceira, é a questão dos abandonos. São problemas que enfrentamos no dia a dia e estão relacionados à Saúde pública, à legislação da defesa animal e aos gastos públicos.


Por exemplo, quando os donos abandonam os animais sem esterilização, estão cometendo um crime e contribuindo para o crescimento geométrico de superpopulação de animais de rua.

Essa atitude de abandono é ainda causadora de maus-tratos, mordeduras, atrocidades, extermínio de animais e acidentes, conforme nossas constatações, através de verificação in loco, redes sociais e denúncias que temos recebido de entidades, protetores e ainda moradores de diversas regiões da Cidade.

Dessa forma, Sr. Presidente, só é possível enfrentarmos a questão da superpopulação com a intensificação de programas de esterilização, com a normatização de registro e de cadastro geral de animais; de campanhas de conscientização pela guarda responsável e com a educação ambiental nas escolas.

Temos ainda que estruturar mecanismos de fiscalização, e para isso contamos com a contribuição essencial do voluntariado, dos apoiadores da causa e das ONGs.

Para termos uma ideia dos riscos que animais soltos ou abandonados oferecem à saúde pública, e dos custos aos cofres públicos, apresentamos aqui a estatística de recolhimento de animais mortos pelo DMLU.

No ano de 2012 dobrou o número de animais recolhidos; foram recolhidos 2 mil animais de pequeno porte mortos nas ruas da Cidade, com mais incidência nos bairros Partenon, Rubem Berta e Santa Teresa. Já os animais de grande porte, recolhidos no mesmo período, foram em torno de quase 300 – considerando o ano de 2011, foi quase o dobro –, e a maior incidência foi no Partenon, Restinga e Sarandi.

Portanto, essa análise nos remete ao fato de que as pessoas estão abandonando muito mais ou que agora há o conhecimento do sistema do 156, que faz o registro de animais abandonados, mortos, vítimas de maus-tratos, enfim, é um disque-denúncia.

Na outra face dessa realidade, constatamos em nossa Cidade o crescimento da importância econômica da cadeia de serviços oferecidos aos animais domésticos.

Segundo a imprensa, Porto Alegre é líder nacional entre as cidades brasileiras em número de animais domiciliados, cães ou gatos, e por isso destaca ainda a inauguração de um crematório de animais de estimação no Bairro Belém Novo, com investimento de R$ 2,8 milhões.

Além disso, a imprensa também tem mostrado o crescimento vertiginoso do mercado animal, incluindo empresas fabricantes de ração, laboratórios, utensílios sofisticados, pet shops, clínicas veterinárias, hotéis e outros que, a cada dia, atraem mais consumidores, gerando emprego e renda. Por outro lado também, isso denota especial atenção do Poder Público sobre o comércio de animais sem fiscalização, a questão da garantia da procedência e do controle sanitário.

Por fim, precisamos alertar a população, por intermédio de campanhas de conscientização, de que a compra por impulso leva o proprietário a considerar o animal um objeto descartável.